O setor de máquinas e equipamentos registrou desempenho positivo no primeiro semestre deste ano, com faturamento bruto real de R$ 33,9 bilhões – valor 13,2% superior ao mesmo período de 2009. No mês de junho, ele totalizou R$ 6,1 bilhões, com ganhos de 8,4% sobre maio e de 7,9% em relação a igual mês do ano passado. Os números foram divulgados ontem pela Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), em sua sede na capital paulista. De acordo com os números da entidade, as exportações do segmento de bens de capital mecânicos subiram 6,5% no período, na comparação com os seis primeiros meses de 2009, e totalizaram US$ 4 bilhões. A sua participação no faturamento do setor, porém, despencou nos últimos cinco anos, em razão da valorização do real. No caso das importações, houve alta de 14,6% e elas alcançaram US$ 10,6 bilhões. Um dos destaques da avaliação da Abimaq é que a China atingiu o terceiro lugar entre as principais origens das aquisições, ultrapassando o Japão e a Coréia do Sul. Com isso, a balança comercial do segmento registrou déficit de US$ 6,6 bilhões. A expectativa é de esse quadro se intensifique nos próximos meses. "O Brasil foi o único país que registrou aumento nas importações durante a crise mundial, no ano passado", avaliou o presidente da entidade, Luiz Aubert Neto. Revisão – Diante desse resultado, os representantes da Abimaq elevaram a sua projeção de déficit para um total de cerca de US$ 12 bilhões até o final de 2010 porque as vendas para o mercado externo estão em ritmo lento – e elas correspondem a 20% do faturamento da indústria. Segundo Aubert Neto, apesar dessa expectativa negativa o setor conseguiu reter mão de obra durante a crise. Ele considera a iniciativa importante para melhorar o seu desempenho a médio prazo. Outro fator que possibilitou a adoção desta estratégia foi a prorrogação da Linha Finame do Programa de Sustentação do Investimento (PSI), obtida em abril e que cuja validade se estende até dezembro deste ano. "Se este programa tiver continuidade, ele trará mais investimentos que beneficiarão o setor, como as obras do trem-bala e a exploração do pré-sal", avaliou. Ressalvas – Aubert Neto lembrou que, se as importações continuarem a crescer e se for mantida a atual política elevação dos juros por parte do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, o setor e toda a economia serão afetados. Para ele, a justificativa de aumentar a Selic em 0,5 ponto percentual (para 10,75% ao ano), a fim de conter a inflação provocada por uma possível alta na demanda, contribuiu decisivamente para que as máquinas e equipamentos brasileiros perdessem espaço e investimentos no mercado interno. Faltam ainda, na sua opinião, políticas mais assertivas para aumentar a competitividade do segmento no exterior. Ele ressaltou que, apesar de o faturamento deste semestre ter registrado desempenho positivo frente ao mesmo período de 2009, ele ainda está 12,6% abaixo dos primeiros seis meses de 2008 – que foi considerado um ano positivo para a indústria brasileira como um todo.
Fonte: Diário do Comércio
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